Cicuta

(Fernando Cavallieri)

Quando estamos juntos
no carpete da sala,
branco e sedoso como um urso polar,
e o vinho inicia sua lenta escalada,
um mundo pré onírico se faz desenhar.
Vinícola expressão explode 
em nossas retinas,
roupas coloridas caem de nossas mãos.
Entrelaçando pernas
nós trocamos saliva,
taças de cristal rolam vazias no chão.

Mais vinho, minha fruta?
Hoje o prazer é cicuta.
Viramos noticia:
Morrer de tanta delicia!

Um id inebriado e feliz faz a festa,
O ego e o superego pedem para sair.
A sua Calvin Klein nos observa do lustre,
jogos incontíveis de prazer a fluir.
Gotas de suor que mais parecem orvalho,
luzidio efeito à luz do amanhecer.
Um óleo de Matisse quase cai da parede: 
Voyer ofegante, começa a derreter.

Mais vinho, minha fruta?
Hoje o prazer é cicuta.
Viramos notícia:
Morrer de tanta delicia!