| No final dos anos 70, o nordeste explodiu sua música para o Brasil
inteiro. Um trabalho conhecido esporadicamente, com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e
Alceu Valença surgiu de forma totalmente diversa. Era a vez de Zé Ramalho, de Moraes
Moreira, Amelinha, Ednardo e Elba Ramalho. Foi quando se ouviu com cuidado um disco
chamado "Ave de Prata" de uma atriz de teatro - aquela que havia feito de forma
tão brilhante a peça A Ópera do Malandro de Chico Buarque, contracenando com
Marieta Severo...
Elba trazia em seu timbre os sons do nordeste, e enquanto pode mostrou ao Brasil o que
acontecia em seu "paraíso tropical". Cantou o povo nordestino, virou-se para o
norte e mostrou a selva amazônica nas canções de Elomar, mostrou a dor da face oculta
do país. Foi um grito, foi a dor da seca, a fome imagine se o Nordeste se tornasse
independente....
E como sempre acontece quando a mídia decide o que é bom ou não em nossa vida de
gado, o Brasil de verdade deixou de interessar - e essa safra de cantores virou-se como
pode. Elba se voltou para o forró, para a dança e a alegria tão "turisticamente
interessantes" do nordeste. Então os que procuram por diamantes brutos, devem ouvir
seus discos com cuidado, porque ela esconde sua dor em meio a folia. E é onde esconde
também uma das vozes mais expressivas da Música Popular Brasileira.
Carô Murgel
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