NOTURNO AZUL

para Line

Pensas que durmo com os olhos fechados?
Que meus sonhos são momentos perdidos?
Que não trespasso os umbrais de seu quarto?
Que não percebo os teus fremes gemidos?

Durante meus sonhos as noites são claras.
Navego nos ares como num oceano.
Deito ao teu lado na cama onde dormes.
E tu me pressentes tal qual um perfume.

No meio dos sonhos nós nos encontramos.
Com tal firmeza as bocas se igualam.
Com qual destreza os corpos se enlaçam.
Com que certeza se chega no fundo.

Somente o luar assiste esta cena
que se desenvolve num ato profano.
Quando tu estremeces num dado momento
E o vago sorriso que surge em teus lábios.


Metamorfose Blues

O pensamento, essas mãos remotas
que te tocaram.
Te transformaram, fluindo em ti
uma vontade louca.
Um gosto acre, de amor,
invade a boca.
Uma sensação de contradição
revela o intangível.

Dissera que o prazer
supremo libera a alma.
E traz a calma nas manhãs
dormidas ao relento.
Mas o pensamento
navega em turvas águas.
E nas mágoas que brotam
em teus segredos.

As mãos do pensamento
acharam teu recanto.
E a voz te penetrou
em íntimos encantos.
E o gozo inundou...
E a noite prosseguiu...
E um choro convulsivo
te descobriu em ti.


A CASA TOMADA

Já não atendes o telefone de casa.
Já não consegues dar um passo se quer.
Já não podes nem ficar calada
Tens que explicar e dizer o que é.

Tu dividiste a tua morada,
Tu acolheste pensando, o melhor
E agora te percebes tomada,
separada de ti, ou pior.

Hoje tudo, quase, te incrimina,
Já não podes nem mesmo sonhar
Que tem sempre alguém na espreita
E tu vives em fuga no teu próprio lar.
Deixe que eu te leve no sonho.
No sonho que meu corpo embala,
que a palavra cala,
que o pensamento voa.
Deixe que o calor te chegue
infiltre em teus poros,
erice teus pelos.
Escute meus apelos,
afague meus cabelos.
Arranhe minha pele.
Deixe essa fera,
esse fogo aberto,
essa mulher oculta,
renasça em carne viva.

Viva meu esforço,
minha luta.
Como me contorço,
como me refaço,
como que renasço.
É que para mim existe algo
diante do sonho.
Existe uma mulher real,
uma mulher que toco e que amo.
Existe uma força suavemente macia
que comprime meu peito,
que me engole a boca
que é meu próprio sangue,
na minha própria magia.

Existe uma mulher oculta,
renegada, calada
que me agarra e se integra comigo
num único momento,
num único organismo ofegante.
Depois se cala e me renega.
E já é outra que fala,
que me expulsa do leito,
que nega, que isola,
que repudia.

Quem é aquela nos momentos de entrega?
Quem é aquela que comigo revira os lençóis?
Quem é aquela mulher?


Maricá, 14 de abril de 1995

I

Manhã de tom azul.
Um vento corta a frio
pelos cantos me esquivo.
Deito na rede...
Perto a sonolência,
Dentro uma solidão cheia.
Calor que conspira
para me por quieto.

Nunca tive tanto tempo
para dedicar ao pensamento.
Os olhos prá dentro,
envolvido pela sensação
que beira a amargura,
mas ainda não é;
que beira a excitação,
mas ainda não é.

Tudo é tanta incerteza.
Tudo é tão incompleto.
Falta-me...

Mas o que me poderia dizer
o vento frio que vem da praia?
O que poderia dizer-me
o tênue Sol dessa manhã outonal?
Precisaria eu de saber?

Vôo para longe...
mas não quero ser voyeur do futuro.
Como se essas sensações
tivessem a obrigação
de serem vividas.

Segundo dia...
O primeiro, transcorrido,
não ensejava o segundo.
Um dia é diferente do outro.
No primeiro não me foi feito
tempo nem disposição para pensar.
No segundo surge, não uma inquietude,
mas uma solidão cheia.
Cheia e tomada
de coisas de dentro.
Coisas que fogem da matéria
e invadem os limites do sutil.

II

Uma só mulher...
Por que uma só mulher...?
Por que é que eu não reajo
com aquele velho instinto assassino
a que sempre, sempre, eu apelava,
como defesa, procurando outra
para por no lugar e cumprir
o ritual físico.
Por que eu não reajo desta forma?
Por que não vou em busca de um corpo?
Um corpo por fora...
nada demais... apenas sexo.

Mas é que isso entraria em conflito
com tudo o que há no interior de mim.
Aí é que está...
A certeza de uma sensação de dissonância
desagradável e insuportável
com o que tenho dentro de mim.
Tenho, dentro de mim,
uma completa plenitude interna.
A dissonância traria desconforto.
Então não há motivo para procurar
soluções exteriores.

Uma completude interna.
Não há sequer um espaço
para ser preenchido.
Não há lugar para nada.
Há uma vontade
de olhar o mar quebrar,
de fixar-se no horizonte
e deixar o pensamento ir.
Uma vontade de contato
com a natureza.
E uma quietude e um silêncio próprio
de quem por dentro está pleno.
O coração está pleno
e não existe outro desejo.

Há uma gostosa sonolência,
vontade de dormir, repousar,
de deixar-se tomar pelo tempo,
de deixar-se tomar
pela quietude do lugar.
Gostaria de nem ouvir vozes.
Gostaria de ouvir o silêncio
das almas completas.

III

Não vou falar de tua ausência
porque não há ausência.
Sinto meu coração satisfeito.
Toma-se todo.
E essa quietude interna,
essa vontade de estar só.
Essa vontade de deixar-me
largado à falta de fazer,
significa que estou contigo,
significa que estás comigo.
É você que passeia de mãos dadas comigo
quando vou até a praia.
É você que conversa comigo
quando eu fico quieto.
É você que me distrai
e não me deixa reparar
na beleza da moça que passa ao lado.
A não perceber
olhos de procura que me cravam.
Que não me deixam ver
a hipotética mulher
sentada na mesa ao lado
de um bar que nem cheguei a ir.

Quem faz isso?
Você? Eu?
Talvez sejam os dois...
Talvez seja a troca de palavras não ditas...
Talvez a troca de sensações
que compensaram a falta
do corpo e do contato físico.
Será que acontece assim contigo?
Nem preciso saber.
Acontece comigo, e assim sou.
É a vontade de vivenciar
esse refinamento de espírito,
esse desejo de estar,
simplesmente pensando em ti.

IV

Ah, você!
Se você estivesse assim
neste estado que estou
seria o máximo!
Mas eu não poderia exigir de ti
a capacidade de desligamento
apreendida há tantos anos.
Não me importo que te divirtas
e vivencies coisas próprias
da tua idade.
Não posso querer que, de repente...
Imagino-te brincando,
sem papo muito cabeça.
Mas não poderia deixar de saber
que existem momentos
em que você ficaria pensativas.
Absorta. Fora dali.
Para logo voltar ao estado de alegria
e de convívio com o grupo.
Mas, certamente, existe uma força
que volta e meia te puxa prá dentro.
De vez em quando tu te flagra assim...

São as nossas coisas.
Mesmo que inconscientes,
que te roubam do ambiente em que estás.
Que te levam para as nuvens...
Eu posso estar só...
Quieto...
Prefiro estar tomado
por esta plenitude inteira.

V

Saí...
Dei uma volta
junto com meu filho,
de carro.
Fomos até a praia,
vimos o mar...
ondas batidas.
Aqui em Maricá...
uma redundante bandeira vermelha.
Nem pensar em entrar.
Levei-o para sair um pouco,
... conversar.
Respirar um pouco de convívio.
Mas nada existe de mais interessante
do que estar dentro de mim mesmo.
Amarrei uma fita azul no pulso direito.
Amarrei-a por fetiche.
Como um sinal externo e misterioso.
Não há vacilo... só há certeza.
Uma fita azul produz
um mistério gostoso.
Coisas do amor.
Um segredo que só nós dois sabemos.
É uma daquelas coisas que sempre te falo.
Aquelas que integram
os pequenos rituais do amor.
Uma pequena homenagem secreta
à mulher que eu amo.
Àquela que me tomou de tal forma
que não deixa espaço prá nada.

Às vezes, nos dias comuns,
tenho medo dessa minha plenitude.
Você tem momentos de instabilidade.
Você recebe cargas exteriores
de pessoas próximas,
que querem e conseguem te desestabilizar.
Mas é algo passageiro, não é?
E te perdôo... porque te amo.
Só por isso...
São coisas próprias do teu momento.

Mas, nas minhas preocupações cotidianas,
tenho medo de ficar só,
se você não vier de verdade.
O que é que eu vou fazer
com esta plenitude
que toma conta de mim?
Se você não vier,
isso irá se transformar
num vazio insuportável...
preferiria não pensar nisso.
Não posso contar com a sorte.
Preciso fazê-la...
Não há dúvida sobre o nosso futuro
que não seja sofrida, trabalhada
e, finalmente, transformada em amor.
Vivencio cada dúvida
com uma intensidade
de transformá-la em certeza.
Você precisa da minha constância
para te trazer a calma.
Não é no incerteza sobre o sentimento
que está o que te traz para mim.
Quanto a isso não há vacilo.
Você, pelo abandono emocional
que te marcou a vida,
precisa dessa certeza.
Isso não te mata de tédio. Isso te preenche.
É forte a minha constância
em matéria de amor.
E é por onde se constrói a tua confiança em mim.


VI

A Lua nasceu cheia,
preparei-me para o momento
quase como para um ritual.
E quando cheguei ao mirante
lá estava Ela, plena.
Você estava ali
senti a tua força
entrando em mim
como um raio que me toma.
Certezas, certezas, certezas...
Quero que você venha com força.
A força dessas certezas...
Quero você cada vez mais
com todas as certezas.


VII

A Lua encobriu-se toda,
mas de vez em quando aparecia.
As nuvens rápidas
deixavam frestas
por onde a Lua se mostrava.
Às nove da noite
mais um ritual oferecido a Ela.
Um ritual de sangue e paixão.
Fui dormir cedo.
O sono veio logo.


Não, amor,
eu não quero roubar você de você.
Eu quero é te amar sem limites
quero é chegar ao fundo do teu coração.
Me ame como você o sente. Pode vir se entregar
sem medo de errar. Deixa eu ser como sou
eu também não tenho dúvidas que te amo.

Eu amo você do jeito que é
continue sendo assim.
Nada é a toa.
Quero, sim desejá-la
quero lutar por ti.
Quero ser o que sou
e muito mais prá você.
Sou assim mesmo.
Meio maluco e de repente
quero tudo. Quero muito.
E quero mais, muito mais
eu entrei em contato
com teu coração.

Eu amo você.
foi o mesmo que
se nós tivéssemos feito amor.
Aliás, nós fizemos.
Gostei do teu beijo. Da tua pele.
Da tua boca. Do teu corpo.
De passar as mãos nas tuas coxas.
Gostei de te amar.
Quero fartar você de desejo.
Quero fartar o teu desejo.

Não, eu te respeito, muito.
Não, sou egoísta não.
Pelo contrário.
Às vezes exercito o desejo de sê-lo.
Por achar que deva me amar.
Mas, não, no fundo eu sou só compreensão.

Eu te amo como você é
e nossa relação é uma relação
baseada na verdade.
Seja como você é, fala o que
sente e como sente.
Não quero mudá-la
Amo-te demais para isso.

Mas por favor, deixa-me te amar.
E não me restrinja dentro de ti.
Quando sentir amor por mim
venha para mim.
Quando me quiser, me tenha.
Não importa o que eu fale
as palavras são tolas
para explicar o que eu sinto.

Me tenha sempre.
Eu sou teu namorado,
não terminamos nada.
O amor é eterno
e ele é que existe.


TE ESPERO

Todo amor tem que ser livre
Quem sou eu para dizer o certo,
quem sou eu para dizer o errado.
Todo amor acontece porque é perfeito
da forma que se apresenta.
Expresso meu amor
da forma e do jeito que ele é.
Expresso com as formas de sedução
que sei fazer e que a vida ensinou.
Faço-o livre porque livre ele o é.
Deixar de assim manifestá-lo
significa transformá-lo
em algo em que já não é.

Sou teu por uma opção de entrega,
porque esta entrega vem de dentro
e decorre de uma sensação plena.
é natural que ele se expresse
para alguém que preenche
completamente as emoções no peito.
E poderia haver alguém ao lado
que não haveria espaço dentro
para ser compartilhado.
O amor preenche-me por inteiro.

Estou triste
porque não tenho você ao meu lado.
Mas é uma tristeza completa
que é melhor que uma alegria
incompleta e cheia de vazios.
Se estou triste,
é porque às vezes o amor é triste,
é uma forma de sua manifestação.

Se, às vezes, sozinho solto um sorriso,
é porque se manifesta em mim
uma parte alegre de você.
Coisas que me fazem teu,
porque verdadeiramente te amo.

Se, às vezes, sozinho, eu choro
é porque se manifesta em mim
uma parte melancólica de ti,
nem por isso menos bela.
Coisas que me fazem teu.
Porque a verdade não está só na alegria,
e o melancólico convive com o alegre.

Se às vezes fico com raiva
é porque o amor se manifesta
com a incompreensão.
Coisas que eu não compreendo.
Coisas que não sou compreendido.
Mas se existe a raiva
é sinal que existe o desejo:
um desejo incompreendido
mas que existe e é forte demais
para ser colocado de lado
junto das pequenices diárias.

Todas essas manifestações
são manifestações de amor.

Foste em busca do paraíso terrestre.
Te odiei.
Agora já não sinto, mas senti.
Essas coisas acontecem e fazem parte.
Longe de deixar-me tomar pela autopiedade,
isso serviu de aprendizado.
Aprendizado sobre você.
Não é aprendizado sobre nosso amor.
Nosso amor é como é
e assim é pleno.
É um aprendizado sobre você
porque é a tua verdade
que se manifestou.
E cada vez que isso acontece
aparece mais a verdade
daquilo que existe em nós.
Não sou perfeito, não és perfeita,
somos como somos,
e assim nos amamos.
Cada vez percebo mais
como nossos mecanismos de vida
começam a se integrar
cada vez mais e melhor.

Sei que te dar garantia
dessa compreensão,
dessa busca do entendimento,
te dá segurança de ser
aquilo que realmente você é.
Você percebe que aí se expressa
a tua liberdade de ser
dentro de um relacionamento?

Vim para a sua vida
não de forma passageira.
Vim para a tua vida
para ficar contigo.
Temos tempo e não temos tempo.
Na verdade o tempo
é o que menos interessa.
Vim exercer em ti
a minha forma de sedução
e que te faz sentir mulher
perfeita e completa.
Vim para mexer com tua química
para transformar os teus hormônios
para mudar o teu desejo.
Vim para mudar a tua vida
e te trazer um mundo
que na verdade apenas pressentes.
Vim para te tomar por mulher
quando todos a tratam por menina.
Vim para te dar saber
da plenitude do desejo
e da arte de fluí-lo.
Vim para você me ver
todos os e dias e afirmar baixinho:
- Este é meu homem!
Vim para te fazer inteira,
para integrar teus sentimentos,
para criar sinergia
e te fazer crescer em ti.
Vim para te mostrar que está trancafiada
e não consegues viver,
que estás sufocada
de tanto a fazer
e nada fazer.

Quero que saiba que te amo
e que nada existe no mundo
que me desalente.

Que vencerei teu medo,
que te levarei comigo
para fazer amor.

E, então, saberás de tudo
e terás confiança maior
em teu próprio ser.

Eu vim aqui, desse mesmo jeito
para te levar ao encontro
do que existe em ti.
E só o amor, um grande amor,
é capaz de fazer coisas tão simples
e tão difíceis de serem feitas.

Estou aqui, sou teu,
venha definitivamente
para o meu encontro.

Te espero.


ENTREI NO TEU QUARTO.

Sentada na cama de calcinha e camiseta,
cabelos soltos...
Beleza sem par...
A materialização da fêmea...
Linda como nunca... fêmea.
Tu falavas e eu...
embriagava-me de ti...
embebia-me de ti...
Prendia-me o olhar...
um ar de sedução...
Assim sob o abat-jour...
Beleza... fascínio.. calor...

Soltei o pensamento...
- Te quero...
O desejo me integrou...
Recebi a tua mão no meu rosto
e a carícia me tocou por dentro.
Entreguei-me.
Deitaste sobre meu corpo...
Um beijo na minha boca...
Suave... mulher apaixonada...
Rendida à magia...
Te afastaste...
Um seio para fora,
colocado sobre meus lábios.
Lábios secos aveludados...
Percorrendo lentamente a auréola
Lábios macios...
Tocando a ponta dos mamilos.
Gemidos... murmúrios...
Arrepios...
Dentes sem força...
Ponta da língua...
Leve...

Corpo perfeito.
As minhas mãos percorrendo
a geografia da pele.
A topografia da carne.
A ponta dos dedos...
A palma das mãos,
em lenta progressão,
por caminhos indecifráveis.
Penugens...
dos braços...
das pernas...
das coxas...

Calor,
teu corpo está quente.
Cheiro de fêmea...
fragrância...
Prazer.
Sabor.
Todos sentidos presentes
Delícias.

Deitei-me sobre ti.
Tua coxas me tocam os flancos.
As bocas que se encontram,
línguas que se integram.
Sexos que se tocam,
águas que se misturam.
Braços que se enlaçam.
O beijo percorre teus dentes.
Meus dentes pressionam teus lábios.
Súbito um beijo de carinho
no meio do ardor.
Como para buscar a alma
neste mundo de presenças.

As mãos penetram nos cabelos,
sucessivos beijos nas faces,
nos olhos, nos lábios.
Confiança de ser minha.
Certeza de ser teu.
Palavras de carinho e amor.

Os lábios viajam pelo rosto,
enquanto pernas e braços se enlaçam.
Se acolhem, se apertam...
E então um beijo profundo
Um doce sabor...
Encontro de águas..
Sugo teu espírito para dentro de mim...
Entrego o meu para ti...
Os dois se integram num só
na junção dos plexos solares.
Não estamos mais ao nível da pele.

Tua boca exige minha boca.
Os ventres se movem em procura de encontro.
A pele se abre na mistura das carnes.
Músculos que se apertam.
Não existe mais
qualquer conceito de distância.

As línguas desejam lamber...
Os dentes desejam morder...
A boca deseja sugar...
O pescoço... Os ombros...
Os braços... O colo...
Mordendo e lambendo as axilas...
Abocanhando firme os teus seios.
Sugando prá dentro da boca
Extraindo deles o leite...
A língua, dentro, beijando.
Mordo, te machuco.
Você me arranha as costas...
Puxa os cabelos...
As pernas me apertam...
Diz que me quer...

Eu paro...
Beijos de carinho...
na ponta dos seios.
No colo, na boca.
Te quero... Te amo...

Retomo o fervor.
Alcanço teu sexo.
Te beijo com os meus lábios
os lábios da tua vulva.
A virilha... o ânus...
A língua... a saliva...
A ponta da língua...
A língua inteira...
Estremeces...
Imploras...

Encontro tua fonte...
e vou lá no fundo beber tua água...
muita água...
e trago prá dentro de mim...
saciando a sede de teu sabor.
Eu mordo... tudo.
A língua .
Chego no ponto certo.
A boca...
A língua...
Os dentes...
Tu gritas....

Inicias um frêmito crescente...
Puxo teu corpo
para cima do meu.
Com os dedos afasto teus lábios
e entro em ti até o fundo.
Tu me engoles..
Me comes...
O ritmo cresce....

Um grito da alma...
No fundo... paramos.
As bocas se igualam...
Te encho de leite.
Lágrimas... soluços...
Abraço apertado...
Carinho...
- Te amo. Relaxas...
Adormeces em cima de mim.


O BEIJO

Tua boca...
Sim... Tua boca...
O desejo tomou conta de mim
ao beijar tua boca.

Sim...
Os meus lábios ainda pressentem
o próximo toque dos teus.

Boca linda...
Lábios vermelhos...
Desejo trazer junto comigo
Sempre...
Esse sabor de mulher.

Encostei teus lábios nos teus,
As bocas se juntaram...
E se encontraram tão belas...
Tão ansiosas... tão ávidas...

Bebi ali todo o teu veneno...
Bebi ali todo o teu desejo...

Dali, tua pele, sensível ao toque,
se desvendou para minhas caricias...

Meus lábios tocaram a tua pele...
Lábios, peregrinos, visitaram seus refúgios...

Linda mulher...
Lindo desejo...
Deixei algo de mim no teu beijo
que não recupero jamais...


SEDUÇÃO / BATIDA DE CORPO

O seu corpo, o meu desejo.
O mistério do encontro.

Percepção de olhos que se penetram.
Previsão incerta do toque na pele.

O despertar da libido, tesão!
Finalmente ali, os dois corpos
O meu e o seu
Pulsando numa só batida.

As mãos já não se sabem só minhas.
Os lábios pressentem o beijo anunciado.
O ventre lateja o rumor das águas.

Nessa união não há choque.
Apenas harmonia.

Tua pele, meus pelos... cabelos
Recepção da língua na boca.

O calor envolvente. Adrenalina.
Seu rosto já suado, seus olhos pedindo,
Querendo, esperando mais.

Seios, que receiam e anseiam
o temor de dentes cortantes,
o supor de unhas cravadas.

Minha boca desliza pelo teu corpo
Descobrindo, buscando o impossível, o máximo do prazer.

Abdômen hirto, encontrando um ritmo.
Respirar o odor de teus pelos.
Saciar no sabor de tua fonte.

No corpo perfeito, delicado, selvagem
Já não há regras
Não há respostas
Sua volúpia é a ordem.

O encontro dos fluidos
A carícia do corte de faca
A aspereza ao encontro da alma

Agora não mais dois corpos
Apenas um num mesmo momento
A violência que explode daquele sexo

Dentro de ti desejo o infinito
ao rasgar na fusão dessas carnes

Incansável, insaciável, incessante

O frenesi dilacera os limites
rompidos em espasmos

Gemidos, loucura, delírio (o maior e melhor)
De repente...

Uma vazante corrente
preenche, deságua em lágrimas

Corpos completamente molhados,
Mas calmos. Calmos e felizes (muito felizes!)

As mãos, os cabelos
O toque dos lábios
Murmúrios de afeto.

A paz. paz infinita, eterna.
Paz que não se imaginou encontrar naquele corpo
Que em um momento se mostrou tão violento,

Repouso em ti
Tu és meu leito.

A satisfação de um desejo realizado

Abraço teu corpo amado.

De novo um olhar ("te quero").

Torno a crescer dentro de ti

A magia do recomeço.

A orgia revisitada.

Mileni Santos / CAlex Fagundes

NÃO SOU ARROZ, EU NÃO!

Eu não sou arroz, não, meu amor!
Te esforçarás para fazê-lo,
mas escorregarei, sempre
pela saída impossível,
pela janela que parecia fechada.
E te sacudirei com força,
te revirarei por dentro
cairás sempre deitada na cama
e eu te terei.

Não sou arroz, eu não
nunca terás a certeza
completa de que sou
todo teu, por mais que eu diga
que eu afirme, ficará sempre
uma pontinha de dúvida
de toda essa certeza.
Saberás que sou teu,
saberás que me tens,
mas temerás sempre
aquela saída oculta
que possa parecer uma porta
por onde eu
poderei desaparecer
por trás dela.

E me amarás loucamente
e me desejarás ter dentro de ti
porque quando estiver ali dentro,
envolvido no jogo da paixão terás
todas certezas.
Mas em outra hora, não terás tantas certezas,
e por essa razão fazer amor comigo
será mais imprescindível
do que com qualquer outra pessoa,
entregar-te-á com mais força
com maior afinco, porque
será quando terás a certeza
que me tens.

Nunca te acharás dona da situação
por completo, poderei te surpreender
com algo inimaginável.
Abalarei teu excesso de confiança.
E eu te virarei do avesso,
e te farei mulher
como ninguém jamais
te fez ou fará.

Desconfiarás sempre que te sentir confiante,
e aprenderás a extrair do teu homem
cada gota de prazer, que é tua e que é minha.
Porque assim ficarás mais nua e serás
possuída de todas as maneiras.
E gostarás de sê-lo.

Eu não sou arroz, eu não.
Eu te darei o antepasto,
o primeiro prato,
o segundo,
e te darei,
para deliciar,
a sobremesa.
Depois te regarei
de licor.

Aprenderás a não
acreditar que dominas.
Mesmo dominando
não terás certeza.
Porque no momento
seguinte eu posso
virar o jogo e ter toda.

Mas sempre tente me dominar,
finja que me tens na tuas mãos,
e ao mesmo tempo terás e não me terás.
Me saberás teu no íntimo,
mas não terás confiança de di-lo
de boca cheia.

Eu, absolutamente, amor
não sou arroz, nem mesmo armário,
nunca serei uma mediocridade cotidiana.
Serei sempre um homem, digno da mulher és,
mas que só eu saberei, porque só eu sei fazê-la.

Serei um homem digno de ter um filho contigo,
e desejarás muito este filho, porque também terás
um pouco mais de certeza de que serei teu.

E um dia, fora do espaço e do tempo,
saberás que eu sou desse jeito,
porque...

... bem, hoje não te darei certezas.
Terás que obtê-las.
Hoje é segredo.


Rio, 5 de maio de 1995, noite

Eu não tenho mais parâmetros
para observar esse nosso amor.
É uma coisa tão grande tão profunda,
tão abrangente, que só posso dizer:
sou teu, te amo, sou teu!
É tudo tão forte tão cheio de espírito,
tão cheio de carinho, tão pleno,
tão gostoso, tão grande...

Amor, mil vezes: eu te amo.
Que coisa mais absurda
você tomar conta de mim desse jeito.
Já não sei mais quais
são os momentos do dia
que não estou ou contigo
ou pensando em ti,
ou sonhando...

Hoje você foi cruel e foi generosa.
Hoje você foi maquiavélica e ciumenta.
Mas como a gente se entrega um pro outro, hein?
Como a gente cai e se levanta,
como a gente se derruba e se joga lá no alto...

Não posso mais nem sequer pensar
em não ficar contigo.
Sou teu, meu coração é teu,
meu tesão é teu.

Por você
minhas emoções se lançam
onde nunca estiveram,
sou capaz de ser um anjo e um demônio,
vou da alegria à tristeza e volto à alegria,
vou da depressão à euforia chegando à mansidão.
Você é dona da minha alma, é dona do meu coração.

E eu sei
que sou tudo isso para você também.
Temos o máximo poder sobre o outro
e, quando juntos, ninguém pode nos superar.

Amor, fomos feitos um para o outro.


Te amo.
Amo teu jeito de ser e isso basta.
Basta-me ser o teu amante
Aquilo que de faz sorrir
E ao mesmo tempo chorar.
Basta-me ser a imperfeição humana
O ser que te surpreende e se entrega a ti.
O ser que te compreende e te atende
e absorve o jeito certo de te penetrar.
O homem que bebe tua intimidade
e se sacia na plenitude de te encontrar.
Basta-me ser a perfeita integração
dos sentidos do bem e do mal.
Basta-me ser o teu pecado perfeito
o instrumento que te extrai o prazer.
Para mim basta-me fazer
o macho que te contamina
que te alucina na química de pertencer.

Sou teu.
E isto tudo me basta
e me deixa farto de tanto te dar.
Não há nada que mais me complete
que sentir na boca o sabor
de tua plenitude.
Sou teu.
Nada mais me interessa
Nada mais me complementa
do que sentir teu gozo certo,
do que chegar ao fundo quieto
e ali me encontrar.
Sou teu.
Nada mais tanto me aquieta
nada me deixa tão completo.
De tudo ser e estar.
Sim, eu entro em ti completamente.
Chego em ti e simplesmente,
não há nada prá contar.
Eu gosto de ter você
deitada a meu lado na cama.
Um sol se esgueira no quarto
e ilumina o chão.
Cabelos que cobrem tuas costas
e você num sono de paz.
Gosto de saber que posso te fazer feliz.
E você sabe que a riqueza
está em ser pleno.
Está nos meus olhos
que te vêem por inteira,
e assim sentir-se amada.
Você sabe que eu sempre estou
disposto a entregar-me de todo
e que nada te falta.
E faltaria tanto, não é meu amor?
De que adiantam mil olhos
que não enxergam teu ser?
De que adianta mil mãos
que não te afagam tua alma?
De que adiantam amores
que não chegam até o teu?
Você sabe mais que tudo
aquilo que te toca.
Não precisaria nem ter mãos,
não precisaria de olhos,
não precisaria de boca, nem sexo.
Mas eu os tenho e são seus.
Materializo-me na tua vida
e fico ao teu lado.
Quero simplesmente estar
porque, estando,
você já se sente completa.
Sentes a plenitude de ter,
sentes a plenitude de ser.
Um amor catalisa
o encontro com o infinito.
Um amor como o nosso
desintegra o ego
e transforma o ser em pureza.

Sinto que vens cada vez mais.
Sempre lentamente e com receio do que sentes.
Tudo é novo.
Te digo palavras que te desconcertam,
tu não o sabes, mas também me dizes.
Tu me transformas, traz para mim a vida
que estava esquecida numa gaveta.
Tu me ressuscitas,
como no canto de Maiakovski.
Tu me revolucionas a alma,
tu destruis aquilo que está vencido.
Tu me enches de uma sensação
de uma maravilha desconhecida.
Tu és o novo que eu não acreditava
que mais podia existir.
Tua simples presença
me regenera as fibras.
Tu me fazes, a cada dia,
acreditar num mundo
que eu imaginava perdido.

É por isso que eu te amo.
Porque tudo me surge em frente
como a fonte de uma primeira vez.
Faz-me descobrir as chaves de portas,
que eu tinha desistido de abrir.
Traz-me a sensação
de que renasço a cada momento.
Não basta sentir que o amor é lindo,
é preciso sentir-se impregnado dele.
Não, não quero outras bocas para beijar,
não quero outro corpo para abraçar,
eu tenho tanto a descobrir em ti.
Eu tenho tudo a desvendar em ti.
Você é tudo. Você é.
Um verbo ser intransitivo.


O AMOR

Perde-se azul, ao longo do horizonte,
a noite. Move-se o espaço,
na incerteza
que derrama faustos negros, de Creonte.
Como aguardar o futuro ?
Nossos olhos estão mortos:
no sentido obscuro,
no crepúsculo,
devolvendo-nos a sensação
de anarquia, fugaz na alma
que o tempo espera.
Bálsamos de néon,
Torpezas que não cometemos -
violências, doces aromas -
Efêmeros barcos a diluir
nas águas de toda inocência
a procura de portos sedutores,
entre as ondas más -
náufragos da desistência.
Líricas paisagens,
focos de inclemência.
Há no ar bálsamos de Netuno,
e perfeições inesperadas.
Mas entre nossas palavras,
dissimuladas,
percebe-se o afã
de apanhar em falso
o véu que cobre a beleza, no absinto
de uma partida, a incerteza.
E mesmo assim não desistimos.
Pois entre a dor que o longe provoca,
face ao adormecido cotidiano,
permanece nebulosa a chegada
da negra trégua, ou pálido sono,
que tudo apagará.
Delineia-se, vaga,
a linha do futuro,
as sombras de tudo o que passamos
naquele instante absurdo.
Permeiam-se nas ainda trevas
recursivas da madrugada.
Sim, há luz. Enquanto caímos
na triste obra do acaso,
Refletem-se em nós
o tirânicos gritos da alvorada
e a memória da tristeza.
Tantas vezes assim estivemos,
nas coisas em que morremos,
e tantas vezes, sem sabermos,
abrimos as portas da insipidez,
para esses horizontes que se arremessam,
e agonias que não se apagam.
Os rituais satânicos dessa aurora,
e os cadafalsos vazios da mente,
perpetuam para o infinito
a angústia, a estrela, o nada.

CAlex Fagundes / João Quental