BUGRE

Bugre perdido na luz de neon
herói de vídeo game fera mineral
armo a garganta
e acendo o tambor
gurreando no som
também se faz amor
espalha o medo
que afia a coragem
que a carne tem um fraco pela dor
a hora vai chegar
os gelos descerão
e as trombetas tocarão
um tema vulgar, banal
couraça de pedra, peito de metal
Quebro a maloca
queimo essa palha
brilho de letras
que não dizem nada
pedra lascada ser de Plutão
sou projeção futurista
Cro-magnon
pena a arara olho de gavião
boto o batoque na boca de baton
me escondo na lama
armo a tocaia
sou jacaré de sapato e de saia
estou inteiro, estou exato
com a teimosia
do porco do mato
e o que se vê não é de sapê
e o que me vale
é a alma de macaco
seios de índia tez de cunhã
gero o alento e a luz do amanhã

Bugre perdido na luz neon
herói de vídeo game fera mineral
armo a garganta
e acendo o tambor
guerreando no som
também se faz amor
espalha o medo
que afia a coragem
que a carne tem um fraco pela dor
couraça de pedra peito de metal
Bugre caçador
na selva universal...

Luli e Lucina 25 anos - Dabliú, 1996.